Confessados


Quando entrei no restaurante  vi aquele homem, ainda jovem, de pele morena e uma cara de safado que  ela por si só já era suficiente pra fazer eu pensar besteira.

Quando sai do restaurante eu dei mais uma olhada e não sei se fui indiscreto ou se a indiscrição era dele.

Houve uma troca de olhares, e depois que travessei a rua ele ainda olhava para tras.

Minha vontade era voltar lá.

Mas a vergonha que me falta na maioria das vezes dessa vez se fez presente.

Agora estou aqui, passando a vontade!

Essa semana tenho me afundado,
apenas em pensamentos, mas sei, eu sei que tudo começa no pensamento e culmina em ações vergonhosas contra minha própria alma.

Hoje a caminho de Salvador, sentei ao lado de um jovem senhor e foi impossível deixar de admirar suas belas mãos… Conversamos um pouco e só um pouco… e eu queria ter tido bem mais que uma mera conversa.
Mal perguntei seu nome,
mal lembro seu nome,
mas lembro com riqueza de detalhes de suas expressões e de sua voz perguntando ” quantos anos você acha que eu tenho?”
Foi meigo, foi uma deixa, foi o suficiente pra essa minha mente fantasiosa deslanchar nas possíbilidades.
Não… não fiz nada de errado, mas em pensamento pratiquei tudo e um pouco mais do que a normalidade permitiria.
Queria poder encontra-lo novamente fora de um aeromodelo, pisando no chão, com a chance de poder chama-lo pra tomar uma cerveja ou simplesmente aceitar sua carona.
O meu mundo é de possibilidades.
E todas elas são duplas.
Eu queria poder não sentir… mas se sinto quero poder ao menos desfrutar.

Nem sempre o que sinto é bom
hoje mesmo o que lateja aqui dentro me faz ter medo
eu temo errar
ou ter errado.

Eu temo ser tão fraco quanto sempre fui.
e me desespero com essa auto-comisseração
Que toma conta,
se alastra como água
tomando posse de cada centimetro da minh’alma.
e despertando um terrivel sentimento de raiva e ogeriza.

É desanimador quando você tenta mas não consegue. Eu estou cansado de tentar, é bem verdade que minhas ultimas tentativas já foram com a certeza de que não conseguiria.

Eu estou tentando me livrar desse vício, mas quanto mais tempo fico distante , mas eu sinto falta e maiores são as crises de identidade que me invadem.

Então eu uso qualquer subterfugio pra me servir como justificativa para apascentar a dor dessa chama que me consome.

A falta cria em mim uma vulgaridade que me espanta, e me vejo com frases , caras, bocas que outrora considerava deploravél.

Entrar em salas de bate-papo pra concluir que são sempre os mesmos desesperados que estão sempre nas mesmas salas e com as mesmas intenções. Trágico no que se refere as propostas, comico no tocante a todos julgarem uns aos outros indignos, vulgares ou inaprooriados.

Mas esse desespero me faz ignorar a comedia e a tragedia de uma sensação que pode até não ser só minha, mas que carrego sozinho tal infortunio. Ficar dia após dia, procurando algo ou alguém que me sacie. E é aqui que me pergunto: O que eu quero? Uma aventura sexual?

- Não!!!!

Eu quero alguém!!!

Com mais idade talvez um carro bonito, dinheiro, e principalmente boa aparencia, que não seja vulgar, que não pense só em sexo, que queria minha compania pra fazer compras, comer um lanche, ir a um show.

Eu quero a perfeição em forma de gente com beleza, dinheiro e simpatia.

Eu sou tão patético quanto todos os outros desesperados que vejo por ai.

Eu quero parar de sentir essas coisas todas. Eu quero parar de olhar um cara bonito na rua e me controlar pra não virar o pescoço olhando até perder de vista.

Eu quero parar de olhar um carro só porque parece que terá alguem bonito dentro dele.

Eu quero parar de visitar os perfis do orkut, pra poder olhar as fotos.

Eu quero parar de achar que tudo isso me cai bem.

Eu quero parar de ser o que sou.

Eu quero parar de sofrer.

E concluo: a morte parece que me cai tão bem.

Hoje eu comprei um outro chip pro meu celular pra poder dá vazão as coisas que passam na minha cabeça.

Sabe, o que me agrada é a sensação de ser paquerado, de ser desejado e nada melhor do que um telefonema pra me fazer isso. Eu não preciso ligar, apenas que me liguem …

E adoro ouvir as vozes ao telefone e notar traços da personalidade, trejeitos adquiridos. Me é fácil, me é próprio.

Mas quando eu começo a ligar e nao sou atendido?  Passo a pensar que sou o mesmo idiota de antes.

As vezes parece que ainda sou um adolescente. Um adolescente em um corpo de adulto.

Ainda sinto os mesmos temores, os mesmos medos, mas os desejos, esses, pioraram.

As vezes eu sinto que a minha vida não deu em nada, que nada do que idealizei se concretizou. Sim eu alcançei coisas que nenhum outro dos meus alcançou, mas eu tinha a sensação de ser destinado a mais, muito mais. E não estou falando apenas de dinheiro, eu estou falando de felicidade.

Eu pensei que eu ia ser feliz.

E nao sou! poderia ser, mas não sou e o problema não é o que me falta, muito menos quem me falta.

O problema sou eu, apenas eu.

Eu me sinto um nojo por mentir pras pessoas.

Eu me sinto o pior dos seres por fraudar minhas intenções.

Eu sou um cara sem escrupulos com peso na conciencia. Felizes os que não tem escrupulos e nem peso na conciencia…

Sabe os infelizes são exatamente esses que sentem demais.

Estamos bem,
brigamos o final de semana inteiro, mas nos amamos como sempre e conversamos como nunca sobre as coisas mil de nossas tão distintas vidas.
Eu sei que a amo e por isso não quero mais beijos furtivos com pessoas que mexem com minha libido.
Eu dizia que beijar não é trair, mas como alguém já me disse Jesus foi Traído com um beijo.
Isso tem mexido comigo.
Eu não quero machucar e posso acabar me machucando.
Se ela não me merece é uma coisa que só o tempo dirá,
sei porém que eu quero merece-la.
Vou tentar acabar a relação com o dono da boca que tenho beijado ultimamente.
Mas por favor caro leitor se eu não conseguir não me condene, já basta minha conciência pesando de tal forma que mal posso andar de cabeça erguida.