Neste final de semana ela ficou chateada porque fui pro futebol no sábado a noite, já fazia meses que eu não ia para nenhuma partida, porém na ultima quarta quando fui ao clube pagar a mensalidade encontrei toda a turma e ficou acertado uma partidinha no sábado.
já eram quase 7 quando ligaram pra confirmar e eu já havia até esquecido, assim como hávia esquecido de comentar com ela que naquele sábado tinha futebol. Pronto já ficou com a cara amarrada e era nítido que as próximas horas dentro de casa seriam um inferno.
Fui pro futebol e quando terminou nem emendei na cervejinha exatamente pra não piorar a situação.
Cheguei em casa calado e assim fiquei, afinal estava errado em não ter avisado com antecedência, tomei banho , já fingia dormir quando ela entrou e começou a despejar toda sua raiva, e a raiva era tanta que nem dormiu na cama, foi pro quarto de hospedes ou sala, nem sei só percebi no dia seguinte quando ouvi o barulho na cozinha.
Pensei que a confusão tinha terminado por aí, mas voltamos a discutir e ela foi falando cada vez mais alto, comecei a dar as desculpas que me vinha em mente e de tudo o que me incomodava como o fato de parecer que eu não tinha o direito. Até ela dizer que eu não a consultei que bastava ter pedido…
Pensei, que parte daquele contrato chamado casamento diz essa clausula?
Perdi a cabeça e comecei a falar na mesma tonalidade irada com que ela destilava suas sentenças. A coisa ficou feia, e suas plavras me soavam mais como um pensamento distorcido da realidade do que afirmações dignas de serem levadas a sério.
Não consigo lembrar de muita coisa, mas a altura do decibeis de nossas vozes culminaram em uma agressão.
Eu bati nela. Nada que deixasse uma marca, hematoma ou partes roxas, mas bati.
E me senti mal com isso.
O resto do domingo passou sem que houvesse nem mais uma palavra.
Vim trabalhar cedo.
Talvez minhas malas estejam na porta quando eu chegar hoje.
E me pergunto o que ainda me prende a essa mulher? Se não tem mais respeito, se me tornei um monstro.
Será que a amo? Não serei como os calhordas que dizem que bate por amor, eu bati por falta de controle mesmo.
Será que estou apenas acostumado com sua companhia? E me acovardo diante da possibilidade de novamente estar solteiro?
Será essa pseuda segurança social e financeira que adquirimos? uma casa, um carro e os constantes elogios de nossas familias.
Sei que errei em ter batido nela.
O preço pagarei nos próximos dias e talvez pelo resto da minha vida.
Se me arrependo? não sei, ainda não estou certo de que isso tenha sido um pecado.