Confissões


Desde quando eles se mudaram que percebi como ele me chamava a atenção, me contive, alias tenho me contido todos esses meses, para não olhar demais e me entregar , pra ele, pra ela, pra todos.

Ele me atrai, não posso negar e esses dias que tenho me sentido fragilizado quanto a esses desejos o vejo lavando a calçada, sem camisa, molhado.

Mas eu não simpatizo , gosto do fisico, apenas, não tenho o menor interesse na pessoa, que aparenta ser de capacidade mental limitada, comportamento social vulgar e com requintes de machismo.

Eu apenas observo, nem perco tempo em devaneios, afinal tem outras coisas mais táteis.

Não está sendo tão dificil assim, pelo menos os últimos dois dias não foram. Hoje houve incidência de dificuldades, mas soube dibralas como otimo artilheiro que sou. Fugi pela lateral,  dando às costas e não ligando pras insinuações de carinhos que me era patentes.

E não me arrependo pois estou integro.

Estou me sentindo melhor quanto a minha parceira, estamos muito bem e nem parece o inferno que viviámos meses atrás.  Decididamente era tudo culpa minha. As brigas , o afastamento, tudo culpa dessa maldita e incontrolavel vontade de beijar uma boca que não merecia e não merece nem meu arroto.

Eu devia fazer uma assepcia bucal.

Durante sete dias eu consegui, mas ontem por causa de um toque nas costas me senti furtivamente defraudado e aquela lascivia me fez quebrar minhas próprias promessas.
Foi só por um instante mas passei o resto do dia me sentindo mal.
Agora porém tenho incentivos mais do que minha debilitada força de vontade.
Eu estou tentando e quero que esse blog seja minha testemunha para que no final eu mesmo vibre com todo esforço aqui descrito.

Eu hei de vencer!

Fiz besteira
mas não foi com quem queria, na verdade foi mais carencia do que vontade.
E me senti mal.
Engraçado , das outras vezes embora tenha sentido um certo incomodo, dessa vez me deu uma sensação terrivel, indescritivel, meio com féu e envenenado.
Passei as ultimas horas remoendo pesadelos, culpas e pesares. Acordei para trabalhar transuente quase sem sentido, mas sentindo tudo pelo qual me culpei nas ultimas horas.
Hoje, justo hoje meu caso de boca espreitou-me e me roubou um beijo, castiguei sua lingua em sucções mais fortes até ele reclamar de dor.
Aquilo me excitou!
Estou com vontade de fazer com ele o que fiz no sabado.
Sem pudores quase vulgar e sem fulgor mas principalmente sem ser fingido.
Estou com vontade de perder o resto de amor próprio que ficou e desesperadamente me jogar em abismo em direção ao fundo do poço.
Ainda que saiba que nas regras do desejo o fácil e o estar a disposição não dão tesão.
Estou com vontade de ligar pra ele e dizer que quero hoje a noite ainda que mal consiga olha-lo nos olhos no dia seguinte.
Estou com vontade mas morrendo de medo.
O medo que queria ter tido sabado quando aquele telefone tocou.
O medo que deveria ter parado de sentir quando sai daquele carro.
E pela primeira vez eu não sei se isso é um desabafo, uma confissão ou uma insensatez.

Neste final de semana ela ficou chateada porque fui pro futebol no sábado a noite, já fazia meses que eu não ia para nenhuma partida, porém na ultima quarta quando fui ao clube pagar a mensalidade encontrei toda a turma e ficou acertado uma partidinha no sábado.
já eram quase 7 quando ligaram pra confirmar e eu já havia até esquecido, assim como hávia esquecido de comentar com ela que naquele sábado tinha futebol. Pronto já ficou com a cara amarrada e era nítido que as próximas horas dentro de casa seriam um inferno.

Fui pro futebol e quando terminou nem emendei na cervejinha exatamente pra não piorar a situação.
Cheguei em casa calado e assim fiquei, afinal estava errado em não ter avisado com antecedência, tomei banho , já fingia dormir quando ela entrou e começou a despejar toda sua raiva, e a raiva era tanta que nem dormiu na cama, foi pro quarto de hospedes ou sala, nem sei só percebi no dia seguinte quando ouvi o barulho na cozinha.

Pensei que a confusão tinha terminado por aí, mas voltamos a discutir e ela foi falando cada vez mais alto, comecei a dar as desculpas que me vinha em mente e de tudo o que me incomodava como o fato de parecer que eu não tinha o direito.  Até ela dizer que eu não a consultei que bastava ter pedido…
Pensei, que parte daquele contrato chamado casamento diz essa clausula?
Perdi a cabeça e comecei a falar na mesma tonalidade irada com que ela destilava suas sentenças. A coisa ficou feia, e suas plavras me soavam mais como um pensamento distorcido da realidade do que afirmações dignas de serem levadas a sério.

Não consigo lembrar de muita coisa, mas a altura do decibeis de nossas vozes culminaram em uma agressão.
Eu bati nela. Nada que deixasse uma marca, hematoma ou partes roxas, mas bati.
E me senti mal com isso.
O resto do domingo passou sem que houvesse nem mais uma palavra.
Vim trabalhar cedo.
Talvez minhas malas estejam na porta quando eu chegar hoje.
E me pergunto o que ainda me prende a essa mulher? Se não tem mais respeito, se me tornei um monstro.
Será que a amo? Não serei como os calhordas que dizem que bate por amor, eu bati por falta de controle mesmo.
Será que estou apenas acostumado com sua companhia? E me acovardo diante da possibilidade de novamente estar solteiro?
Será essa pseuda segurança social e financeira que adquirimos? uma casa, um carro e os constantes elogios de nossas familias.
Sei que errei em ter batido nela.
O preço pagarei nos próximos dias e talvez pelo resto da minha vida.

Se me arrependo? não sei, ainda não estou certo de que isso tenha sido um pecado.

As coisas melhoraram.
Sim e como, depois de uma conversa seria foi sexo quase todos os dias e adimito que caprixei nas preliminares pra ver se a mulher se animava.
Mas alegria de pobre dura pouco, veio a vilã que todo homem casado odeia. Ela mesma a menstruação.
5 Dias aguentando a madame hipersensivel, descontrolada e repentinamente chorosa.
Tudo bem, vamos dar um desconto.

Eu  já estava até rezando que quando essa fase dolorosa (mais pra ela do que pra mim) passasse e não houvesse alguma briga que me fizesse dormir no quarto de hospedes.
E pior que brigamos por besteira, claro.

Passei a semana toda sem ter nada, somando com a semana anterior em que ela estava parada para manutenção dá um total de 2 semanas sem prazer sexual. Se for avaliar bem isso é metade de um mês. Motivo mais do que suficiente para traições, mas não trai.
Somente os beijos descritos no outro blog. É com um colega de trabalho. As trocas de olhares são até mais excitantes do que os beijos em si.
As vezes me pego pensando no cara e já até criei estratégias para nos nossos momentos furtivos do trabalho ir além dos  beijos melados. Mas quando chega na hora não tenho coragem de avançar pro que meu imaginário criou.
Se avançar meu conciente gritaria dizendo que agora sim trai. E trair não quero, ela não merece.

É loucura eu sei, mas talvez Freud Explique.